Devemos ajudar quem não pedir?

Por Timoneiro, 12 de dezembro de 2008 6:07

O título é polêmico, principalmente por estarmos nas proximidades do Natal e vivendo a tragédia que se abateu sobre Santa Catarina.

Mas é verdade. Devemos ser solidários, amar ao próximo, dar a mão a quem precisa, mas obedecendo a certas regras.

Será mesmo?

Quando trabalhava em escritório arrumei trabalho para um profissional, bom profissional por sinal, que estava desempregado. Passado algum tempo, por questões profissionais, esse funcionário estava prestes  a ser demitido.  Mais uma vez procurei ajudá-lo, intercedendo em seu favor, sem que ele soubesse. A demissão foi revista e ele permaneceu na empresa. Meses depois fui vítima desse indivíduo que, entre outras coisas, violou minha correspondência pessoal. Acabei deixando a empresa.

Uma moça, que prefiro não identificar, arrumou trabalho para uma colega, contratada por tempo determinado, que estava para sair da empresa. O contrato terminara e não havia onde alocá-la. Com a oportunidade de continuar, mostrou-se muito grata. Durou pouco tempo o reconhecimento. Meses depois mostrou-se hábil em intrigar sua protetora com a gerência. 

Casos como esses que acabo de citar existem aos milhares. Você arruma trabalho para alguém, indica um nome para aquela vaga e, mais tarde, acabará vítima dessa pessoa. Coincidência? Pode até ser. Quem não conhece um caso parecido?

Várias teorias explicam por que passamos por determinadas situações. Sou pela teoria da evolução, que considera a reencarnação, e há fatos que fazem parte do nosso aprendizado. São matérias, por assim dizer, que precisamos refazer; provavelmente fomos reprovados em épocas passadas. Não devemos pular etapas. Um auxílio inoportuno pode atrapalhar mais do que ajudar. 

Claro que, sempre que possível, devemos ajudar alguém a levantar. Mas o caminhar deve ser por seus próprios pés. O paternalismo atrapalha o desenvolvimento.

Até mesmo a ajuda para alguém se levantar deve ser prestada quando solicitada. Quem deseja ajuda precisa manifestar o seu desejo de ser ajudado. Não temos o direito de comandar o destino de quem quer que seja.

O que acha disso? Comente!  

Este texto foi escrito com a intenção de despertar nossa atenção para o assunto. Pensei em fazer isso após ler “O Pedinte“, no qual uma alma bondosa se revolta ao ver a comida que havia oferecido a um pedinte ser desprezada e jogada ao lixo.  Mas o final do texto nos passa uma frase de Allan Kardec que muda tudo:

“Você é responsável por todo o mal que ocorrer como conseqüência do bem que deixar de praticar”.

E a autora de “O pedinte”, Dayse Maria, explica: “Quem receber de mim esse bem, faça dele o que bem entender, isso não é problema meu. Eu quero me preocupar com as minhas ações; quero agir dentro da ética e do sentido de humanidade. Se alguém fizer mau uso do que receber de mim, tudo bem. Cada um dá o que tem.”

Façamos a nossa parte. Não vamos deixar que o comportamento dos outros modifique o nosso, mas sem exageros. Não vamos nos portar como o ‘bom samaritano”:

‘Fui a uma loja hoje de manhã e estive lá por uns 5 minutos. Quando eu saí, vi um guarda municipal, com farda cor de merda, todo prepotente,  preenchendo uma multa. Corri até ele e soltei o famoso: – Peraí, amigão, não faz isso não, dá uma chance!

Ele me ignorou e continuou escrevendo a multa. Então eu o chamei de babaca metido a polícia! Ele me olhou e, sem dizer nada, deu uma olhada em um dos pneus do carro e começou a fazer outra multa.

Então eu falei: – Que merdinha de profissão a sua, heim? Ele começou a escrever uma terceira multa! Foram mais uns 5 minutos ali fora, discutindo ou tentando discutir. E quanto mais eu xingava, mais multas ele preenchia.

Depois que eu vi que aquilo não iria se resolver, saí dali e fui pegar o meu carro no estacionamento, na outra quadra….. O importante mesmo é ter tentado ajudar!’ 

  

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6 comentários para “Devemos ajudar quem não pedir?”

  1. Ana Lucia disse:

    Paulo,
    A autora de “O pedinte”, Dayse Maria, explica: “Quem receber de mim esse bem, faça dele o que bem entender, isso não é problema meu.”
    Não sei se você teve a oportunidade de ler: Para uma pessoa bonita(Shundo Aoyama Rôshi – mestra Zen). Pois bem. Ela diz:
    ‘certa vez dei de presente a uma Mestra uma lembrança que havia escolhido com cuidado durante uma viagem(..)’. Ela me surpreendeu dizendo: ‘isto não serve para mim, mas o aceito porque poderá servir para outra pessoa.’ Já que vai dá-lo a outra pessoa, eu nem deveria lhe presentear, falei sem pensar. Naquele instante percebi que eu era incapaz de dar sem reservas…

    É por aí. Só se deve dar quando o coração vai junto. ‘Que não saiba a mão esquerda o que a direita fez.’

    Um abraço. Ana

    Resposta

    Timoneiro respondeu:

    @Ana Lucia,

    Ana,

    Há algum tempo ganhei um som portátil de um amigo e disse na mesma hora: “Vou dar para a minha filha, que mora sozinha e não tem. Eu não preciso.”

    Ele, espíritualizado, entendeu prontamente. E já ganhei outros utensílios que ele substitui por mais modernos e me transfere os antigos. Na quarta-feira, quando fui ao Rio, ganhei dele um monitor de LCD. Também dei para a minha filha, pois já tenho um monitor desses.

    De fato a gente dá um presente querendo que o presenteado faça bom uso dele. Não entendemos que, mutas vezes, esse melhor uso é justamente transferir o presente para quem a gente gosta e sabe estar necessitado. O ato de dar não significa desprezar o presente, muito pelo contrário. Mas é difícil entender.

    Resposta

  2. Rosa Maria disse:

    Timoneiro,

    Foi com certa ansiedade, que li seu artigo “Devemos ajudar quem não Pedir?, pois eu mesma já me fiz essa pergunta várias vezes.É estranho, mas não se encontra muita literatura com esse tema específico. O chato não é a ingratidão ou falta de reconhecimento da pessoa a quem se ajuda. Isso eu já até que me acostumei a receber da maioria das pessoas.Mas, já recebi também gestos de afeto e gratidão e foi muito legal. E é por isso que a gente não desisti de tentar ajudar.Porém, chato mesmo é quando a pessoa a quem se ajudou, faz a gente se sentir como um intrometido ou “incherido”. Aí eu me questiono – será que ele não está certo? Não seria melhor deixar rolar uma situação ruim ? Afinal, pode ser um Karma, sei lá?
    Digo isto, pois eu tenho uma mania terrível de observar as pessoas e situações à minha volta, e quando posso intervir para consertar algo que vejo estar errado ou fazendo alguém sofrer, acabo ajudando sem ser solicitada. E às vezes consigo reverter a situação! Aí, quando o “ajudado” está melhor, nos dá as costas e nos chama de “intrometida”. E é por isso, que eu resolvi me policiar mais e, mesmo vendo a solução do problema, (às vezes quem está fora do problema enxerga melhor, do que quem o está vivenciando)acabo me calando e me omitindo. Porém é difícil, para mim. Mas, um dia eu chego lá!
    Gostei das suas páginas! Vou acessar mais vezes.
    Abração,
    Rosa.

    Resposta

    Timoneiro respondeu:

    @Rosa Maria,

    Por mais estranho que possa parecer, grande parte das pessoas parece não querer ajuda. E quem ajuda corre o risco de ser visto exatamente como você bem explicou.

    Resposta

  3. Marco Aurelio disse:

    Esse ponto levantado é realmente muito polëmico. Muitos tiveram experiëncias negativas. Alguns receberam gratidão. A maioria recebeu indiferença.

    Para evitar mágoas em ambos os sentidos, ou pelo menos minimiza-las, adoto a estratégia de fazer uma proposta a quem precisa de ajuda. Nunca dou qualquer coisa graciosamente, nem ofereço ajuda sem uma contrapartida.

    Resposta

  4. PoPa disse:

    Caro timoneiro, cheguei até aqui, procurando mais informações sobre a manobra de heimlich e acabei vendo mais coisas interessantes. A questão que colocas é bem simples e já me foi contada por um político: Se tens uma vaga e cinco candidatos, vais ter, no futuro, quatro descontentes e um ingrato…

    Mas fazer o bem é não buscar nenhum tipo de retribuição, além da própria autoestima. Se a pessoa que foi ajudada não entender ou desprezar o que recebeu, tudo bem. Faz parte da vida. O que não podemos é deixar de ajudar alguém, pensando nas possibilidades negativas do futuro.

    Navegue tranquilo em 2009!

    Resposta

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