Perfeição: obrigação ou meta?
Entender a questão pode mudar nosso comportamento
O indivíduo responsável procura fazer suas tarefas da melhor maneira, procurando atingir a perfeição. Outros, no entanto, não se empenham em fazer bem feito, não se importam com a qualidade ou com o que os outros pensarão a seu respeito. Desculpam-se, quando falham, dizendo que são humanos e que ninguém é perfeito. Quem está certo?
Não vou falar desses últimos, mas procurar entender o que sentem aqueles que procuram ser perfeitos. Os exageros podem ser prejudiciais. Não sou psicólogo e falo pelo que observei na minha vida. É opinião pessoal, podendo ser contestada por quem tem uma formação acadêmica ou experiência diferente da minha.
Muitas crianças, em determinadas culturas, principalmente as orientais, não se perdoam quando cometem erros. Buscam a perfeição a qualquer preço. Competição exacerbada, cobranças familiares e da sociedade são responsáveis por esse comportamento. Em algumas culturas o assunto é tão sério que as menores falhas chegam a levar o jovem ao suicídio.
Outros, mesmo sem que haja cobrança direta, são os seus maiores cobradores e não perdoam suas próprias falhas, por menores que sejam. Isso faz com que sempre procurem culpados para seus erros e sentem uma enorme vergonha quando são descobertos.
Confesso que já passei por isso. Sempre fui muito exigente comigo, por mais que fizesse as tarefas com qualidade muito superior ao que seria de se esperar.
Um belo dia comprei três bolas de cristal. Gostava de colecionar pedras. Escolhi as mais perfeitas, sem nenhuma falha, sem riscos ou mossas, que são aqueles vestígios de pancada, muito parecidos com crateras lunares mas que não são percebidos pelo tato. As bolas eram lindas, totalmente transparentes, e não cansava de admirá-las.
Certa vez escapuliram de minhas mãos e foram ao chão. Para meu desespero, quicaram algumas vezes, enquanto imaginava que cada salto representava uma marca que nunca mais seria removida.
E assim foi. Duas, três, quatro marcas em cada bola. Pensei em abandoná-las, jogar fora, comprar outras… Não sabia o que fazer.
Imagino que os poderes do cristal, tão apregoados pelos místicos, foram os responsáveis pelo que aconteceu, mas a partir desse momento mudei meu comportamento e passei a ver a vida de outra maneira. A perfeição, que exigia de mim e dos meus semelhantes, deixou de ser uma obrigação, passando a ser uma meta a ser perseguida. Passei a ser tolerante comigo e com os outros e a aceitar os erros e defeitos.
Dizem que as pedras, representantes do mundo mineral, têm tanta vida quando os animais e vegetais. Não percebemos isso porque o tempo das espécies é contado de maneira diferente. Um século ou um milênio representa, para uma pedra, o que alguns segundos representam na nossa vida. Como perceber alguma mudança nesta situação? Se observarmos um ninho de cristais veremos que alguns deles são maiores do que outros. Como pode isso? Os maiores já foram pequenos? Cresceram? Quanto tempo foi necessário para isso acontecer?
Mas isso é assunto para outro dia, quem sabe.
Você busca a perfeição? Com que intensidade? Isso atrapalha ou ajuda na sua vida?
Pense nisso!
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Timoneiro
Concordo com você, quando diz que tudo que fazemos deve ser bem feito. Assim procuro ser com tudo que faço. Sempre busco dar o melhor de mim.
Tudo que externamos é um espelho do que vai dentro de nós. A começar pelo modo como deixamos a nossa cama, ao nos levantarmos a cada dia.
Através das ações de uma pessoa, muita coisa pode ser medida. Não sendo preciso ir muito longe buscar respostas.
Nós somos o que fazemos.
Nós somos o que julgamos ser.
Não trato aqui do perfecionismo doentio, em que nada está bom.
Nesse caso, trata-se de um distúrbio mental. Quem quiser pesquisar melhor, basta assistir ao filme DORMINDO COM O INIMIGO, onde um dos personagens é extremamente perfecionista.
Convido os leitores a ler uma série de artigos sobre o Feng-Shui (almacarioca.net), mostrando como nossas ações externas refletem a nossa personalidade e o que deve ser feito para mudar certos comportamentos.
Parabéns ao Timoneiro pelo texto excelente.
Abraços,
Yasmim
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Timoneiro respondeu:
outubro 15th, 2009 at 13:28
Obrigado, Yasmim. Fico feliz por encontrá-la sempre nos comentários, sinal de que está gostando do barquinho. Navegue sempre conosco.
Um beijo.
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Timoneiro amigo,
Muito bom este seu tema. Claro e bem escrito. Concordo que o equilíbrio está no meio e por isto perfeição estaria fora. Em tudo que fazemos deixamos um rastro da gente. Eu nunca exercitei a perfeição mas confesso que gosto das coisas bem feitas. Mexo com artesanato, de vez em quando, ‘customizo’ bolsas usadas e minhas amigas se encantam. Detesto trabalhos de ‘carregação’. Talvez minha avó tenha tido uma parcela importante na minha vida. Quando eu fazia bainhas de roupa mal feitas ela era a primeira a mandar desmanchar. Tava certa, a velhinha.
Um beijo, querido. Ana
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Timoneiro respondeu:
outubro 15th, 2009 at 16:54
Obrigado, Ana. Parabéns a você e a todos os professores pelo dia de hoje.
Um beijo
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PREZADO AMIGO
Sei que a vida nos entrega, ao longa da jornada, pedras difíceis de serem carregadas para construirmos a pirâmide, almejada na ambição de sermos mais próximos possíveis da perfeição, onde está o nosso Criador.
Mas como construirmos uma pirâmide se não estando juntos, unidos, irmanados com todos os demais que também tem esse desejo.
Talvez, sozinhos consigamos carregar, ao longo da vida, algumas pedras. Juntos poderemos carregar muitas e talvez chegarmos a construir uma boa parte da pirâmide.
Mas a imperfeição está dentro de todos nós.
Mesmo solidários a pirâmide poderá até ser concluída, em gerações, mas nunca restará perfeita, mesmo com os esforços de toda a humanidade.
A sabedoria do teu texto é maravilhosa.
Temos que viver o dia de hoje, carregar as pedras que podemos. Construir a pirâmide, nossos sonhos, devagar, mesmo sabendo que todos eles não serão possíveis, mas termos fé, perseverança, força, esperança que iremos contribuir para que consigamos auxiliar a sua construção, ou melhor, um futuro melhor para todos os nossos irmãos.
Parabéns pela tua luta, no dia a dia, sei que é o ideal que te suporta neste esforço maravilhoso.
É ele, o ideal, fundamentado na fé e na esperança, que suporta toda a tua força, para continuar se empenhando, sem desanimar, olhando para frente, sabendo que estamos todos nós na presença de Deus.
Parabéns.
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@GUTIERRITOS: Obrigado, amigo. Isso muito me anima a continuar.
Um abraço,
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